LDN – SUAS INTERAÇÕES AUTO-IMUNES

LDN 2

Em primeiro lugar esta é uma questão que de fato vem sendo muito útil para as pessoas com doenças auto-imunes porém ainda temos uma certa escassez em suas informações.

Tentarei  deixar aqui algumas das experiências que já encontram-se sendo disponibilizadas  em alguns tratamentos de pacientes de doenças auto-imunes com LDN em outros países e a primeira questão relevante é  a seguinte:

Em que condições é eficaz a baixa dose de naltrexona?

Na verdade, existem duas maneiras de responder a esta pergunta.

A primeira constitui-se em mostras científicas registradas da literatura e, a segunda é a experiência clínica apresentada por aqueles que  estão trabalhando com LDN.
 Eu vejo um monte de pacientes com doenças inflamatórias crônicas e muitos deles são de natureza auto-imune e quero apenas aproveitar a oportunidade para dar um pouco de fundo e tentar explicar como LDN em  baixas doses trabalha; que tipo de condições têm sido estudadas e como ela pode ser eficaz para nós.

Vamos falar sobre alguns prós e contras e coisas que devemos ter em mente para que você esteja apto a saber se deve prolongar o uso e qual é a sua dose correta.

Tente em primeiro lugar encontrar um médico para ajudar  você  trabalhar com Naltrexona (LDN) em baixas doses em seu local.

 Como LDN funciona?
Como o nome indica, uma dose baixa de naltrexona é uma dose baixa de um medicamento chamado naltrexona que foi originalmente aprovado nos anos 80 com uma dose mais elevada, por volta de 50 mg e sua finalidade era a de ajudar os usuários de drogas, como heroína, etc, a deixarem de usá-las, e seu funcionamento consistia em  bloquear a recepção de hormônios opióides presentes nas drogas. 

Então, se você estivesse recebendo uma dose de 50 mg, você poderia tomar qualquer tipo de droga opióide que não ficaria “alto”. No entanto, as pessoas que estavam tomando 50 mg de naltrexona não sentiam mais nenhum prazer em usar as drogas porque os receptores opióides no cérebro não podiam mais mediar  suas experiências de prazer.  Sendo assim, em uma dose elevada, a naltrexona não era uma solução  muito viável ou eficaz para eles.

Mas enquanto isso, em meados dos anos 80, havia um médico em Nova York chamado Dr. Bihari que estava interessado no tratamento de câncer e AIDS e na época as pessoas estavam começando a focar mais em possibilidades de tratamento nestes dois casos , então o Dr. Bihari descobriu que uma dose baixa entre 3 mg  à  4,5 mg de naltrexona, exercia efeitos benéficos sobre o sistema imunitário. E desde então, LDN começou a ser usado para doenças auto-imunes, câncer, e outras condições que envolvessem alguma alteração do sistema imunológico.

Uma coisa muito importante para entender é que se você for falar com o seu médico sobre LDN você poderá notar que ele talvez não esteja familiarizado com naltrexona nem sabe que vem sendo utilizada com esta finalidade de cuidar da auto-imunidade e ele poderá  até nunca ter ouvido falar dos trabalhos do Dr. Bihari e  certamente desconhece quais são as baixas doses de LDN que ele utilizou.

A dose mais elevada é a do bloqueio de receptores opióides para tirar o paciente das drogas, enquanto que a dose baixa vem sendo usada agora para equilibrar e regular o sistema imunológico, por isso é importante você fazer essa distinção entre as duas dosagens.

Quero dizer  um pouco sobre como LDN funciona e porque isto é interessante  e  como ela pode beneficiá-lo se você tiver uma condição auto-imune relacionada.

Estudos da LDN ainda estão em andamento. Existem vários novos trabalhos sendo publicados sobre os mecanismos da LDN todo ano, e ainda estamos aprendendo muito sobre isso, mas até agora, existem dois principais mecanismos que já foram identificados.

Um deles é que, como já havia dito, ela regula o sistema imunológico, e ela faz isso principalmente por promover a função das células T reguladoras.  As células T reguladoras (ou Tregs), mantém o sistema  imunológico em equilíbrio, e são elas que transformam a inflamação em on e off dependendo do que é necessário ser feito e elas impedem que o sistema imunológico fique ‘travado’ em pacientes com atividades imunes hiperativas, como em casos de alergias, asma e outras condições auto-imunes. E como funciona?  LDN , como já disse, bloqueia temporariamente os receptores de opióides no cérebro e quando os receptores são bloqueados , o corpo pensa que mais opióides  serão necessários e começa a produzir mais desses receptores. Ao longo do tempo enquanto novos receptores são produzidos , o LDN já estará fora do sistema e os receptores novos ficam desbloqueados promovendo maior facilidade no mecanismo de defesa.
Então, provavelmente você estará se perguntando, como  isto ocorre no sistema imunológico. Sabemos agora que as pessoas com doenças auto-imunes, muitas vezes têm baixos níveis destes opióides e que as células brancas do sangue, naturalmente, são as que dirigem a resposta imunitária. Havendo mais receptores opióides , obviamente , concluímos que seu sistema imune desempenhará um papel muito mais eficiente no tratamento de uma doença imunológica .

Então, (número um), trata-se de um mecanismo de balanceamento imuno-regulador, onde o aumento dos opióides realmente favorecem um aumento correspondente em células T.  

As células T reguladoras são aquelas que representam os agentes policiais do sistema imunitário.

A ideia é que elas não só equilibram mas também regulam o sistema imune.

Outro mecanismo mais recentemente descoberto, (número dois), é que LDN é capaz de reduzir a inflamação do sistema nervoso central e o significado disto é que a inflamação do sistema nervoso central compromete um grande número de condições diferentes  em que mais uma vez a LDN  demonstrou ser capaz de ajudar. Algumas destas condições são: fibromialgia, dor crônica e depressão.  Além de bloquear os receptores opióides, LDN bloqueia os chamados receptores microglia das células brancas do sangue. Estas microglias são as células imunes do sistema nervoso central que produzem inflamação, geram sensibilidade à dor, fadiga, falta de sono, distúrbios de humor, problemas cognitivos e quando essas microglias são cronicamente ativadas, como no caso de fibromialgia e outras desordens de dores, resulta-se em uma neurotoxicidade e toda uma ampla cascata de sintomas que estão associadas à estas condições;  e LDN essencialmente impede a formação da cascata, bloqueando os receptores microglia das células. Isto provavelmente explica porque, em alguns estudos LDN foi apontada como redutora da  taxa de sedimentação de eritrócitos, ou ESR, que é um marcador inflamatório elevado em condições  de fibromialgia.

Então vamos recapitular: Existem dois mecanismos básicos que são equilíbrio e regulagem do sistema imunológico   e   redução da inflamação do sistema nervoso central.

Há provavelmente outros mecanismos, mas estes que estou falando são os únicos que têm sido evidenciados até o momento.
Existe alguma maneira para as pessoas testarem seus níveis de opiáceos para saber se eles podem vir a baixar com o auxílio de LDN?
Não que eu esteja ciente. Existem alguns testes que podem olhar para os vários tipos de células do sistema imunológico e o equilíbrio entre estas células, mas eles ainda não estão amplamente disponíveis e eles são um pouco difíceis de interpretar também, por isso não é algo que eu acho que esteja ao alcance de todos por enquanto. Por enquanto, com LDN, a melhor maneira de determinar se você vai realmente pode se beneficiar dele é se você apresenta as condições em que ele vem se mostrando útil ou ainda apenas fazendo um teste terapêutico e ver os resultados.

 A eficácia da LDN: __

Então quais são as condições em que LDN pode ser eficaz no tratamento? Na verdade, existem duas maneiras de responder a esta pergunta. A primeira é obtendo relatos na literatura científica e a segunda é o que a experiência clínica médica vem tratando com a LDN.

Há definitivamente que manter  uma contínua pesquisa, mas ainda hoje ela está um pouco limitada, e eu acho que a experiência clínica tem estado bem mais à frente em termos de amplitude das condições as quais LDN pode ser seguramente utilizada. As pesquisas também são ainda de tamanho relativamente pequeno porque, em parte, não há  interesse substancial em financiá-las, pois uma dose baixa de naltrexona está fora de patente além do que o custo é baixo, e isso já é um bom motivo para que as empresas farmacêuticas não se esforcem em vender LDN. É improvável que invistam muito dinheiro em pesquisas por causa disso.
Fora isto, os resultados dos estudos até agora sobre LDN têm sido muito encorajadores, principalmente em câncer, esclerose múltipla,  fibromialgia, autismo, doença de Crohn. LDN tem sido especialmente eficaz para Crohn com uma taxa de remissão de mais de 70% e mesmo a cicatrização completa da mucosa já ficou evidenciada por colonoscopia, em alguns casos. Crohn é uma doença muito  difícil de se tratar e com pequenos índices de sucesso em seus tratamentos típicos. No entanto já existe uma estatística bastante notável na sua taxa de remissão (mais de 70%),  com cicatrização da mucosa especialmente quando você considera o fato de que não foram documentados efeitos colaterais da LDN no estudo feito em comparação com o placebo.
Então, isso é o que está na literatura científica, mas curiosamente clínicos estão usando-a para toda uma vasta gama de condições que envolvem inflamação e alteração no sistema imunológico, doenças auto-imunes como Hashimoto e Graves, artrite reumatóide, lúpus, psoríase, síndrome da fadiga crônica, doenças neurodegenerativas como Parkinson e Alzheimer. Ele está sendo amplamente utilizado para a infertilidade. Há uma clínica no Reino Unido, que é basicamente quase inteiramente focada em utilizar LDN para a fertilidade tratando de pacientes que estão lutando com este problema há longo tempo. E o motivo da eficcácia é uma larga gama de condições de seu mecanismo de ação. Como eu disse, ele regula e equilibra o sistema imunológico reduzindo  a inflamação e, é claro, sabemos que a inflamação e desregulação imunes estão na raiz de várias doenças e, certamente, na raiz das doenças auto-imunes. Mesmo não havendo quaisquer estudos de LDN em Hashimoto, por exemplo, faz sentido que ele irá ser útil para apoiar e tratar Hashimoto uma vez que  ele já está funcionando para a esclerose múltipla e doença de Crohn. Isto porque o mecanismo subjacente de todas estas condições é a sua desregulação imune, a sua auto-imunidade. É por isso que um monte de médicos sentem-se justificados e seguros no uso de LDN para estas condições mesmo que ainda não tenham sido diretamente estudadas.

A conclusão simples, inteligente é que seu mecanismo faz sentido e é seguro, bem tolerado e não tem quaisquer complicações significativas ou riscos ou efeitos colaterais na maioria dos estudos que já foram apresentados até agora.
Uma das vantagens do LDN como uma terapia é que é de baixo custo. Mas é fora de patente, como eu disse, o que significa que normalmente você pode obter uma quantidade muito boa por um baixo custo por mês em uma boa farmácia de manipulação.
Os efeitos colaterais são bastante mínimos. Em alguns estudos  duplo-cego  controlados por placebo, como eu disse, não houve diferença no efeito secundário no grupo de tratamento, mas vou dizer que, em nossa experiência, o que temos visto em nossa clínica e outras clínicas que conheço ao se  trabalhar com ele, é que existem dois efeitos colaterais que eu notei que são bastante comuns, que são: perturbações temporárias do sono quando um paciente começa tomar pela primeira vez,  e   ter sonhos vívidos e dor de cabeça leve, que geralmente passam muito rapidamente e muitas vezes podem ser eliminadas iniciando-se com uma dose mais baixa.

Então,  se 3 mg ou 4,5 mg é a dose final, comecemos a partir de 1,0 mg ou 1,25 mg;  em seguida, eleva-se mais lentamente até a dose final.
LDN não tem registros conhecidos de ‘overdose’ pois não se trata de uma medicação viciante. Uma das minhas hesitações ou críticas sobre um medicamento é que eles  principalmente e tão sómente se dão ao trabalho de suprimir os sintomas e não necessariamente melhorar as funções causadoras no corpo, mas LDN é um pouco diferente quanto a este respeito, porque na medida em que funciona através da melhoria da função, aumenta a produção de células T reguladoras, que depois agirão como balanceadoras do sistema imunológico, tornando-se assim um pouco mais seguro usar LDN à longo prazo.  Agora, é claro, se você pode conseguir resultados e resolver a sua condição auto-imune sem usar uma medicação pesada;  você deve considerar a eficácia do LDN bem como a da Vitamina D. Esta é uma combinação perfeita para modular seu sistema imunológico. Você tem sempre que pensar em um tratamento que faça sentido, o mais eficaz e que ao mesmo tempo tenha a menor quantidade de danos. Em muitos casos, não se trata de uma droga, portanto LDN é realmente um medicamento que eu acho que passa nesse teste.
Uma das desvantagens de LDN é que ainda não há dose padronizada, e realmente o paciente e o médico terão que acertar isso através de tentativa e erro. Pela nossa experiência, temos visto que a maioria das pessoas acabam com cêrca de 2,5 mg  à 3 mg; 4,5 mg tende a ser demasiado para a maioria das pessoas. Eu vi alguns pacientes estabilizar com uma dose tão baixa quanto 1,25 mg ou 1,5 mg, mas em qualquer lugar no intervalo de 1 mg ou 1,25 mg  até 4,5 mg pode ser a dose ótima para uma determinada pessoa.
Nós ainda precisamos de mais pesquisas. Encontrar um médico para trabalhar com
LDN nem sempre é fácil para se poder obter uma receita. Um monte de médicos de cuidados gerais não estão ainda familiarizados com ele. Não é coberto por planos de saúde mas, felizmente, é muito barato. Mesmo que as pessoas estejam pagando do próprio bolso.
E apesar de todos os estudos mostrarem que é seguro, não temos quaisquer dados oficiais sobre segurança real à longo prazo para casos de pessoas, por exemplo, que estão tomando LDN por 10 anos ou algo assim. Eu estou apenas apontando para isto.
Então, se você estiver interessado em LDN, tenha em mente que deve  ser prescrito por um médico, ou, em alguns casos, um naturopata tabém pode prescrever. Há um site chamado LDNinfo.org que tem uma espécie de armazém de informações sobre LDN que você pode tentar pesquisar. Há um grupo no Yahoo sobre LDN que você pode se inscrever e tentar encontrar um profissional.

LDN sempre deve ser obtida a partir de uma farmácia de manipulação respeitável e de confiança que tenha experiência na composição das doses da LDN. Há também uma lista de farmácias recomendadas no site LDNinfo.org que você pode apresentar ao seu médico (são no exterior).

Será que um paciente precisará alterar a dose ao longo do tratamento? Será que o efeito se desgasta e você pode ficar mais sensível ou menos sensível à ela?

 Quer se trate de um suplemento ou medicação para uma finalidade terapêutica, para alcançar um objetivo terapêutico, e uma vez alcançado esse objetivo, devemos estar interessados em tirar as pessoas do hábito de prolongar tal medicação. Uma vez que o sistema imunológico volte ao equilíbrio e o paciente esteja sem sintomas precisamos, encorajá-lo a viver sem tal dependência e não perdurar para o resto da vida. Como falamos, o paciente pode querer fazer um teste e aceitar tomar a LDN e depois deve fazer outro teste de observar como viverá sem ela e esta questão depende da evolução e cuidados de cada pessoa sobre seus sintomas particulares.

 Algumas pessoas, já no dia seguinte, depois da primeira dose começam a se sentir uma pessoa diferente e  outras pessoas  podem demorar três meses para que realmente sintam alguma diferença significativa. Realmente não entendemos ainda por que isso acontece dessa forma. Nem tampouco isto depende de quanto tempo o paciente vem se quixando do problema.  Mesmo em casos de doença benigna ou leve alguns têm uma resposta mais imediata e outros não. Isto ainda não é previsível . Então é aconselhável  dar-lhes ao menos três meses de tratamento antes de uma avaliação final de seu efeito. 

Uma outra consideração relevante é:

Sabendo-se que LDN bloqueia os receptores opióides, algumas drogas narcóticas contra dores  como Percocet ou morfina ou tramadol, podem diminuir a sua eficácia de modo que não é recomendável  serem tomadas em conjunto.  Pacientes com Graves ‘ou Hashimoto que estão tomando medicamentos para a tiróide devem ter cuidado, porque uma coisa que já vimos acontecer é se alguém toma LDN e sua função da tiróide melhora, então a dose de medicação que estavam usando para manter o equilíbrio pode se tornar  demasiado elevada e a pessoa pode entrar em uma espécie de episódio de hipertireoidismo ou começar a sentir calor ou não dormir bem e outros sintomas típicos. O médico deve sempre ficar atento ao prescrever para estes casos.  

E finalizando, para a função das células T:

A vitamina D é um promotor poderoso das células reguladoras T assim como é a glutationa, e estes devem definitivamente fazer parte da receita do paciente que vai utilizar a LDN. Deverá sempre manter níveis adequados de selênio, zinco e iodo, os quais são importantes para a função imune. Probióticos, especialmente da espécie Bacillus, promovem a função das células T. Butirato, que é um ácido graxo de cadeia curta e que é produzido por bactérias benéficas no cólon, melhora a função das células T. A vitamina A também é muito importante para o equilíbrio imunológico. E para a inflamação, temos coisas como cúrcuma, EPA e DHA do Omega 3 e uma dieta saudável que obviamente farão toda diferença nos efeitos do tratamento. SEJA Uma dieta Paleo, dieta crudivegana, dieta low carb ou dieta cetogênica. Estamos tentando dar um próximo passo oferecendo um protocolo seguro para ajudar na recuperação de doenças auto-imunes, mas tenha em mente que uma decisão séria e determinada a curar o seu corpo deve incluir a participação fundamental de uma mudança em sua alimentação.

2 opiniões sobre “LDN – SUAS INTERAÇÕES AUTO-IMUNES”

  1. ZARIF DA SILVA ABES disse:

    serviu-me bastante por conter muitas informações a respeito da naltrexona- LDN.

  2. Celular bertolucci disse:

    Excelente

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