Oceanos estão com menos oxigênio

Oceanos estão mais quentes, mais ácidos e com menos oxigênio

Esta é uma das mensagens da mais recente avaliação do Programa Internacional sobre o Estado dos Oceanos, uma iniciativa criada por investigadores da Universidade de Oxford, com o apoio da União Internacional para a Conservação da Natureza.
Outras mensagens: a sobrepesca está ameaçando a capacidade dos oceanos em resistirem a outras ameaças; os recifes de coral não são capazes de se adaptar às rápidas mudanças climáticas em curso; o futuro dos oceanos estará seriamente comprometido se não se limitar o aumento da temperatura global à 2,0 graus Celsius até ao final do século.

A temperatura superficial dos oceanos aumentou, provocando consequências significativas em nosso planeta como: redução do gêlo, desaparecimento da calota polar no Árctico até 2037, redução da concentração de oxigênio, libertação de metano do fundo do mar.

Os oceanos estão cada vez mais quentes, mais ácidos e com menos oxigênio. Este “trio mortífero ”, segundo classifica um painel de cientistas internacionais, está tendo “efeitos dramáticos” sobre a fauna e flora marinha, além de exacerbar outras ameaças, como a poluição.
Com oceanos mais quentes, refere o painel de cientistas, as espécies marinhas tenderão a migrar na direção dos pólos e para águas mais profundas, a diversidade de peixes e invertebrados hoje explorados pode diminuir 60% e os recifes de coral tropicais sofrerão uma redução colossal até 2050.

O Painel de cientistas alerta para “trio mortífero” e reitera apêlos para conter o aquecimento global.

Acificação da água e sobrepesca
“Como foi deixado claro pelo IPCC [Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas], os oceanos estão suportando o fardo do aquecimento do sistema climático, com consequências físicas e biogeoquímicas directas e bem documentadas”, diz o Programa para o Estado dos Oceanos, na síntese da sua avaliação.

Um destes efeitos é a acidificação da água do mar, devido à absorção do excesso dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, em consequência das actividades humanas.
Outro problema é o da redução dos níveis de oxigénio. “As previsões para a quantidade de oxigénio nos oceanos sugerem uma redução de 1% a 7% até 2100”, sintetiza o painel científico. As causas são o aquecimento global e a poluição.

Os cientistas alertam também para a sobrepesca, com 70% da população de peixes a ser explorada de modo insustentável, segundo dados da agência das Nações Unidas para a alimentação e agricultura (FAO, na sigla em inglês).

“A saúde dos oceanos está piorando mais rapidamente do que se pensava”, alerta o investigador Alex Rogers, do Somerville College, da Universidade de Oxford e um dos criadores do Programa Internacional para o Estado dos Oceanos. “Esta situação deveria ser motivo de grave preocupação para todos, uma vez que todos serão afectados pelas alterações na capacidade dos oceanos em suportar a vida na Terra”, divulga um comunicado.

oceanCriaturas de águas rasas, como estes corais, são extremamente vulneráveis ​​ao ácido carbônico.

Por dezenas de milhões de anos, os oceanos da Terra têm mantido um nível de acidez relativamente estável. É dentro deste ambiente estável que a rica e variada biodiversidade da vida nos mares de hoje surgiu e floresceu. Mas a pesquisa mostra que este equilíbrio antigo está sendo desfeito por uma queda recente e rápida no pH da superfície que pode ter conseqüências globais devastadoras.

Desde o início da revolução industrial no início de 1800, as máquinas movidas à combustíveis fósseis têm impulsionado uma explosão sem precedentes com o avanço da indústria humana. A consequência lamentável, no entanto, tem sido a emissão de bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) e outros gases de efeito estufa na atmosfera da Terra.

Os cientistas sabem agora que cerca de metade deste CO2 de origem humana foi absorvido ao longo do tempo pelos oceanos. Isto tem beneficiado o retardando da mudança climática ou então essas emissões teriam sido piores se tivessem permanecido no ar. Mas uma nova pesquisa está descobrindo que a introdução de grandes quantidades de CO2 nos mares está alterarando a química da água e afetando os ciclos de muitos organismos marinhos, particularmente aqueles na extremidade inferior da cadeia alimentar da vida.
Armazenando Carbono

Igualmente preocupante é o facto de que, como os oceanos continuando a absorver mais CO2, a sua capacidade como um armazém de carbono pode diminuir. Isso significa que parte do dióxido de carbono que emitem permanecerá na atmosfera, agravando ainda mais a mudança climática global.
Reiterando uma meta internacionalmente reconhecida, os cientistas afirmam que é preciso reduzir as emissões de CO2 de modo que a concentração deste gás na atmosfera fique abaixo de 450 partes por milhão (ppm), limitando a probabilidade da temperatura média global subir mais de 2,0 graus acima dos níveis pré-industriais. “Se os actuais níveis de libertação de CO2 se mantiverem, podemos esperar consequências extremamente sérias para a vida nos oceanos, e para a protecção alimentar e costeira”, alertam.

A Consciência científica da acidificação dos oceanos é relativamente recente, e os pesquisadores estão apenas começando a estudar seus efeitos sobre os ecossistemas marinhos. Mas todos os sinais indicam que a menos que os seres humanos sejam capazes de controlar e eventualmente eliminar as emissões de combustíveis fósseis, os organismos do oceano vão encontrar-se sob crescente pressão para se adaptar à evolução química de seu habitat ou perecer.
Matéria selecionada e traduzida por Rama Shakti
Fonte: http://news.nationalgeographic.com/news/2008/11/081124-acidic-oceans.html

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